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Reserva Florestal Adolpho Ducke

 

Área, situação legal e estado de conservação

 

A Reserva Florestal Adolpho Ducke (RFAD) tem 10.000 hectares (100 km2) e aproximadamente 10 km de cada lado. A área da reserva  foi inicialmente escolhida pelo botânico Adolpho Ducke na década de 40, que a selecionou como uma parte da Hiléia que deveria ser resguardada para o futuro. A área foi solicitada inicialmente ao governo do Estado do Amazonas em 1955, pelo então Diretor do INPA, Dr. Olympio da Fonseca Filho. Em 1959, um Termo de Doação foi emitido pelo governo estadual. A definição jurídica da doação ocorreu em 23 de novembro de 1962 com a promulgação da lei número 41. A reserva é totalmente demarcada e é cercada na borda adjacente à área urbana. A administração é realizada pela Divisão de Suporte as Reservas do INPA, e seu plano de uso e pesquisa são definidos pelo Conselho Técnico Científico das Reservas. Este Conselho é composto de pesquisadores do INPA, incluindo o Dr. William Magnusson que faz parte da equipe desta proposta. Cabe ao Conselho a administração técnico-científica do sítio.

 

A reserva se encontra em excelente estado de conservação. Possui uma torre metálica, com 42 m de altura, para observações e medições biológicas e climatológicas. Devido à sua proximidade de Manaus, a área da Reserva recebeu pequenos impactos antrópicos antes de sua demarcação (1959). Estes foram minimizados e ordenados (na área de pesquisa) após a doação da área ao INPA. Em 1963, foram instalados vários experimentos de silvicultura do tipo de ensaios de enriquecimento da floresta natural com espécies nobres em áreas definidas. Pesquisas básicas em climatologia, zoologia, botânica e ecologia foram iniciadas naquela época. A partir de 1971 as pesquisas que envolviam corte de árvores foram proibidas. Em futuro próximo a área estará totalmente isolada da floresta contínua e será possível estudar os efeitos de fragmentação numa escala relevante para reservas a serem implantadas na região. Não existe outra reserva na Amazônia com a combinação de tamanho (grande), fácil acesso, flora e fauna relativamente intactas, ligação com um instituto de pesquisa de renome internacional, e tradição de uso por cursos de campo em programas de pós-graduação.

 

 

Características do sítio

 

A Reserva Ducke se encontra coberta por uma típica floresta tropical úmida de terra firme da Amazônia, ou Floresta Densa Tropical segundo a classificação RADAM-BRASIL. Está situada no divisor de águas de duas principais bacias de drenagem: um para o Rio Amazonas e o outro para o Rio Negro. O clima da região segue o tipo Afi de Köppen, com temperatura média de 26ºC (máxima 39º C e mínima 19º C). A precipitação anual varia de 1.900 a 2.300 mm, sendo a estação chuvosa de dezembro a maio e a estação seca de junho a novembro. A cobertura vegetal ombrófila tem dossel uniforme com uma altura média de 32 m. A topografia é constituída de platôs recortados por riachos, que em certos locais formam planícies de alagação, e em sua maioria, têm a nascente na área da reserva. Os solos são derivados de sedimentos marinhos do terciário do grupo Barreiras. Representam um continuum de latossolos argilosos nas cristas, tornando-se mais arenosos com o aumento da inclinação e diminuição da altitude. Na baixada a fração mineral é quase areia pura.

 

Uma grade de nove trilhas no sentido Norte – Sul, e nove no sentido Leste – Oeste foi instalada durante 2000 e 2003. As trilhas possuem oito km de comprimento cada e se cruzam em intervalos de um km cobrindo uma área de 64 km2. Nas trilhas Leste – Oeste foram instaladas 72 parcelas permanentes distantes no mínimo 1 km entre si. As parcelas são estreitas e longas (40 x 250 m) seguindo a curva de nível do terreno para minimizar a variação interna das características do solo e topografia (Figura 1). A Reserva Ducke engloba nascentes e pequenos riachos de duas bacias de drenagem, delimitadas por um platô central no sentido norte-sul. No lado leste, os riachos drenam para o igarapé Puraquequara, um tributário de quarta ordem do rio Negro, enquanto no lado oeste, a água corre para o igarapé Tarumã, um tributário de quarta ordem do rio Amazonas. Em 2000, foram instaladas 38 parcelas aquáticas de 50 m (Figura 1), das quais 31 foram utilizadas para monitoramento (16 na bacia do Puraquequara e 15 na bacia do Tarumã), e 17 parcelas ripárias que podem ser visualizadas na figura 2

 

 

Figura 1. Localização das 72 parcelas terrestres (pontos pretos) e 31 parcelas aquáticas (pontos brancos) instaladas na grade de trilhas da Reserva Florestal Adolpho Ducke.

 

Figura 2. Localização das parcelas ripárias da Reserva Ducke (círculos amarelos = parcelas terrestres de distribuição uniforme; azuis = parcelas ripárias; verdes = parcelas terrestres localizadas em ambientes estruturalmente ripários, próximos a igarapés - vegetação ripária, baixa profundidade de lençol freático). 

 

Flora e fauna

 

Espécies de plantas: 2136

Espécies de anfíbios: 50

Espécies de peixes: 71

Espécies de répteis: 80

Espécies de aves: 350

Espécies de mamíferos: 50

 

 

Histórico de pesquisa

 

As atividades de pesquisa na Reserva iniciaram-se em 1963. Nos 46 anos desde sua criação, centenas de estudo sobre a biodiversidade foram realizados na reserva, gerando um volume de conhecimento científico que coloca a Reserva Ducke entre os mais produtivos sítios de estudo nos trópicos. Atualmente, cerca de 50 pesquisadores e 40 estudantes de pós-graduação trabalham na área. Muitos estudos foram realizados em colaboração internacional, como, por exemplo, estudos básicos sobre os solos em colaboração com a ORSTOM (atual IRD, França), sobre o clima com a Royal Meteorological Institute e Institute of Hydrology (Reino Unido), sobre hidrologia com a Universidade de Washington (EUA), sobre a atmosfera com a NASA (EUA), sobre a fauna de invertebrados com o Instituto Max Planck (Alemanha) e sobre mamíferos carnívoros com o Consejo Superior de Investigaciones Científicas (Espanha). Muitas publicações foram geradas a partir dos inúmeros estudos realizados na Reserva Ducke. A reserva é um dos principais locais para os cursos práticos do Programa de Pós-graduação do INPA e será a sede do Mestrado Profissionalizante em Gestão de Áreas Protegidas, do INPA. Existem manuais para identificação de aracnídeos, anfíbios (adultos e larvas), lagartos, serpentes, samambaias, ervas da família Marantaceae e para a flora como um todo. Estão em fase final de preparação manuais práticos de identificação de peixes e gêneros de formigas, além de guias ampliados e atualizados para serpentes e larvas de anfíbios. Maiores informações podem ser acessadas no site do PPBio <http://ppbio.inpa.gov.br/>.

 

 

 

Localização e acesso

 

Se encontra a 25 km da cidade de Manaus, Amazonas, Brasil (3º 05' S, 60º 00' W) , sendo limítrofe ao perímetro urbano da cidade (Figura 3). A altitude média é de 50-110 m acima do nível do mar. O acesso para a sede da reserva é feito pela rodovia AM-010, e a reserva está no km 26 desta rodovia. A partir do portão de entrada, há cerca de 2 km de estrada de terra que levam até a sede. Também é possível entrar na reserva a partir de três outros pontos, que dão acesso para as acampamentos designados como Bolívia, Tinga e Ipiranga.

 

Figura 3. Localização da Reserva Ducke (RFAD) próxima à cidade de Manaus/AM. 

 

O acesso para o acampamento Bolívia é feito através da Av. Grande Circular e depois pela Nossa Senhora da Conceição, vire a esquerda na Rua Uirapuru, chegando à base de vigilância Sabiá. A partir da base, existe uma trilha que dá acesso à grade de trilhas do PPBio (Figura 1). Os vigilantes da base podem guiar os pesquisadores nesta trilha. O acesso para a Base Tinga é feito pela AM-010. A entrada para esta base é feita através de uma propriedade particular, e é necessário contatar o proprietário (bill@inpa.gov.br) para obter permissão e chaves. O acesso para a Base Ipiranga feito através da Av. Grande Circular e depois pela Nossa Senhora da Conceição, vire a direita na Rua Uirapuru, siga o ramal no final da rua até o banhado. Existe também uma base de campo denominada Central, que se pode acessar a partir da sede da reserva.

 

Não é aberta à visitação pública e as visitas são permitidas apenas para propósitos de pesquisa e educação. O acesso só é permitido para pesquisadores e visitantes autorizados pelos setor de reservas do INPA (DSER). Para obter autorização, é necessário preencher e apresentar à DSER o formulário disponível em http://www.inpa.gov.br/internas/dser/Formulario_de_Autorizacao.doc. Além disso, qualquer pesquisa que envolva coleta biológica deve seguir as normas do ICMBio.

 

 

Infraestrutura /Logística de apoio:

 

A sede da reserva conta com alojamento para 40 pessoas. Embora existam algumas camas, a maior parte da acomodação é feita em redes. Os banheiros não possuem água quente. Existe energia elétrica, mas não internet. Há uma sala de aula para 50 pessoas, e dois laboratórios para uso geral. Os laboratórios possuem bancadas para triagem, mas não são equipados. Sala de aula e laboratórios possuem ar condicionado. A cozinha e o refeitório podem atender em torno de 40 pessoas, mas não existe uma equipe permanente de cozinha. Os pesquisadores e visitantes podem cozinhar ou levar cozinheiro. O material básico de cozinha está disponível, mas para grandes grupos há necessidade de levar material complementar. Há geladeira, freezer e fogão industrial. As bases de campo contam com um acampamento que permite acomodação de aproximadamente 12 pessoas. Estes alojamentos são constituídos por uma cobertura metálica que dá suporte para pendurar redes. O material de cozinha deve ser levado por cada equipe, bem como gás e demais suprimentos. Não há energia elétrica.

 

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